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sábado, 22 de outubro de 2011

A despedida do trema


É uma tremenda aula de criatividade e bom humor, por sinal, com acentuada inteligência.


A DESPEDIDA DO TREMA

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema.Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüiféros, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.

Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário.
Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!

O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela.
O dois pontos disse que sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.

Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra.
E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?

A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K, o W "Kkk" pra cá, "www" pra lá.

Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER.

Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!

Nos vemos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.

Adeus!!!

Trema

(Não sei a autoria)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sobre o livro aprovado pelo MEC



Bom, eu, como educador que não está exercendo sua profissão, mas que tem formação em Letras com especialização em linguística, quero fazer alguns comentários a respeito do livro que o MEC distribuiu nas escolas recentemente.

Primeiro, quero fazer uma analogia. Temos um guarda-roupa em nosso quarto. Nele há roupas para dias de calor, como também há roupas para dias de frio, e também há roupas para situações mais formais. Ou seja, você pode ter uma camiseta regata, um casaco e um terno. Cada um deles serve para situações diferentes. Você não vai para a praia vestindo um casaco ou um terno (a menos que você seja louco!), ou entrar em um órgão público de camiseta regata. Voltando: cada roupa serve para uma situação diferente. O mesmo acontece com a linguagem.

Falamos diversas variantes da língua portuguesa no nosso dia a dia. É como se fossem vários idiomas. Observem bem o tamanhão do Brasil e sua rica diversidade cultural. Um nordestino não fala da mesma maneira que um gaúcho ou um paulista, mas todos eles falam português (brasileiro). Aonde eu quero chegar? Calma. O Ministério da Educação ao aprovar que o tal livro contenha o polêmico conteúdo pensou na riqueza da nossa língua e também na ignorância que nos cega. Primeiro porque não existem erros de português quando se trata de falantes da língua portuguesa. Existem "variantes". Ao mostrar no livro a frase "os livro", o MEC quer mostrar para todos aqueles que possuem um profundo preconceito com a linguagem (e, por tabela, por si mesmos) que essa frase existe e está presente no nosso cotidiano. Isso não quer dizer que existe forma correta ou não. Existe a forma que temos que falar na escola e nos lugares de trabalho: "os livros". Mas em qualquer outro lugar, como roda de amigos ou com a família, "os livro" é uma frase que se sai bem e que é entendida por todos os falantes de língua portuguesa.

Devo ressaltar bem que toda pessoa que nasceu no Brasil sabe falar português. Fala conforme a variação linguística, até porque a maneira como falamos é algo individual, tanto quanto a nossa impressão digital. Ao falar "os livro", aquela pessoa talvez só queira usar camiseta regata a vida toda. No ambiente que ela nasceu, talvez seja possível ela usar camiseta regata sempre, mas se ela for para o mundo da escola, da faculdade ou do trabalho, ela vai ter que tirar a camiseta regata e vestir uma outra camisa mais formal. É possível com essa analogia entender como funciona a linguagem. A língua chamada de "padrão" nada mais é a forma como a escola e a sociedade (muito hipócrita, por sinal) querem que a gente fala, sendo que essa mesma sociedade nem sequer dá conta de expressar a tal da "língua padrão" que tanto pregam. Ninguém consegue, nem mesmo os tais gramáticos, que vivem se contradizendo.

Muitas vezes, até o que consideramos "erro" um dia pode ter sido o correto ou poderá virar o certo no futuro. As pessoas não escolarizadas sabem falar a língua portuguesa, mas de uma maneira mais arcaica (quem estudou latim sabe que muitas peças se encaixam quando se observa a linguagem dos menos escolarizados). Porém, é claro que concordo que se quisermos evoluir, temos que ter um certo padrão no modo de viver. O que o MEC quer mostrar é que a variante existe para que deixemos de ser um pouco tolos e assim abrirmos a cabeça para as possibilidades. Principalmente para a nossa bela língua portuguesa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Momento Clarice Lispector



Olá, amigos do meu blog! Nesta curiosa data (08/09/10), transcrevo frases da brilhante Clarice Lispector retiradas de um site. Com certeza ela merece um bom espaço aqui no meu humilde canto cultural. Clarice é alma, é poesia, é profundidade... É minha poetisa favorita!


"Escrever é procurar entender,
é procurar reproduzir o irreproduzível,
é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."

"E como nasci? Por um quase. Podia ser outra. Podia ser um homem. Felizmente nasci mulher. E vaidosa. Prefiro que saia um bom retrato meu no jornal do que os elogios."

"Em uma outra vida que tive, aos 15 anos, entrei numa livraria, que me pareceu o mundo que gostaria de morar. De repente, um dos livros que abri continha frases tão diferentes que fiquei lendo, presa, ali mesmo. Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu! Só depois vim a saber que a autora era considerada um dos melhores escritores de sua época: Katherine Mansfield."

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca".

"O trabalho está desorganizado, muito ruim, muito confuso. Material eu tenho e em abundâcia. O que me falta é o tino da composição, o verdadeiro trabalho. Minha tendência seria a de pensar apenas e não trabalhar nada. Mas isso não é possível. O trabalho de compor é o pior. Eu mesma vivo me levantando e caindo de novo e me levantando. Não sei qual é o bem disso, sei que é essa forma confusa de vida que vivo. Uma pessoa que quisesse tomar minha direção seria bem vinda...Eu nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para desistir."

" Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres." (minha frase favorita!)

"... eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."


Comentário meu: Clarice nasce em Tchelchenik, na Ucrânia, em 1920. Chega ao Brasil com os pais e as duas irmãs aos dois meses de idade, instalando-se em Recife. A infância é envolta em sérias dificuldades financeiras. A mãe morre quando ela conta 9 anos de idade. A família então se transfere para o Rio de Janeiro, onde Clarice começa a trabalhar como professora particular de português. A relação professor/aluno seria um dos temas preferidos e recorrentes em toda a sua obra - desde o primeiro romance: Perto do Coração Selvagem. Ela estuda Direito, por contingência. Em seguida, começa a trabalhar na Agência Nacional, como redatora. No jornalismo, conhece e se aproxima de escritores e jornalistas como Antônio Callado, Hélio Pelegrino, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Alberto Dines e Rubem Braga. Os passos seguintes são o jornal A Noite e o início do livro Perto do Coração Selvagem - segundo ela, um processo cercado pela angústia. O romance a persegue. As idéias surgem a qualquer hora, em qualquer lugar. Nasce aí uma das características do seu método de escrita - anotar as idéias a qualquer hora, em qualquer pedaço de papel.


Fonte: http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/claricelispector/index.htm

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

30 dicas para escrever bem



Olá, amigos do meu blog! Como está a vida? A minha vida tem passado por transições, altos e baixos, assim como a vida de todo mundo. Uma coisa positiva que está acontecendo é a atualização que estou fazendo sobre a Língua Portuguesa e a reforma ortográfica. Desde que me pós-graduei, não tinha mais estudado e me atualizado; apenas dei aulas. Agora estou novamente sentado numa cadeira e assistindo aulas em vez de lecioná-las. Confesso que estava com bastante saudade e até me veio ideias de estudar novamente. Como a atualização envolve redação oficial, vi um texto bem bacana, até então inédito pra mim. Trata-se de 30 dicas de como escrever bem. Porém o autor utilizou de um recurso da fala que é a metalinguagem, ou seja, a língua explicando a língua. Ao lerem o texto, vocês perceberam isso melhor e verão o quanto ele é divertido! Boa viagem e até a próxima!


30 DICAS PARA ESCREVER BEM


1 - Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2 - É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3 - Anule aliterações altamente abusivas.

4 - não esqueça as maiúsculas no início das frases. E Não UtilizE Maiúsculas No Meio Das Frases.

5 - Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6 - O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7 - Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8 - Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou?? Então, valeu!

9 - Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10 - Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11 - Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12 - Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

13 - Frases incompletas podem causar

14 - Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

15 - Seja mais ou menos específico.

16 - Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17 - A voz passiva deve ser evitada.

18 - Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que inguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19 - Quem precisa de perguntas retóricas?

20 - Conforme recomenda a A.G.O.P., nunca use siglas desconhecidas.

21 - Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22 - Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23 - Analogias na escrita são tão úteis quando chifres numa galinha.

24 - Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25 - Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contidas e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26 - Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27 - Seja incisivo e coerente, ou não.

28 - Não fique escrevendo (nem falando) o gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29 - Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, caralho!... Nada de mandar esse trem... Vixi... entendeu, bichinho?

30 - Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.



(Autor: Professor João Pedro - UNICAMP)