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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Obcecados com o "melhor"

 
 
Estamos obcecados com "o melhor".
Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
...
Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso
acontecer.
Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado,
modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta
conquistar ou ter.
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo
melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.
Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.
Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?
E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um
melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos
e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.
A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens
"perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à
chance de estar perto de quem amo...
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?
Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?
Sofremos demais pelo pouco que nos falta
e alegramo-nos pouco pelo muito que temos.
 
 
(Desconheço a autoria)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Feridas num coração de madeira



Meus amigos!

Há algum tempo, recebi de uma grande amiga, uma mensagem intrigante, e ao mesmo tempo excelente, para reflexão e uma ótima interlocução com TODOS!

Bem vamos ao Texto recebido, e logo após, a singela resposta, que a enviei a mesma, em retribuição ao gesto de carinho e lembrança, pelo importante texto.

O titulo do Texto: Coração de Madeira

... Uma menina, cansada de ser magoada por seu namorado, resolveu pendurar um coração, de madeira, em um local onde eles sempre se encontravam. E cada magoa, ela pregava um prego no coração. Certo dia vendo aquilo, ele perguntou: Amor, o que isso significa? E ela respondeu. Cada PREGO uma mágoa, e cada BURACO, uma ferida. Então constrangido ele resolveu mudar. Com o tempo, o coração, já não tinha mais nenhum prego. Então, ele perguntou novamente: Amor, e agora? Ela respondeu: Cada dia eu você mudava eu retirava um prego. Ele então olhou e conclui que mágoas somem, mais as feridas permanecem...

Resposta, com adaptações, a minha amiga:

Querida amiga!

Permita-me ao mesmo tempo, esclarecer e agradecer, pelo importante texto.
A principio entendo e até compreendo, em algum momentos, a analogia do texto.
Contudo, ainda bem, que nossos corações não são formados de MADEIRA, porque temos a capacidade de retirar nossos pregos, de esquecer e ou conviver, na medida do possível, com nossas magoas. E o mais importante, a meu ver, preencher nossas dores (espaços que ficaram na madeira), por novas e melhores situações. Ainda que sejam, as mesmas pessoas, ou outras. Não importa. Assim fazemos, todos dias, com nossos colegas, amigos, parentes, e até inimigos, as vezes, caso existam.


Somos seres especiais, formados de carne e osso, e mesmo quando quebramos e ferimos. Cicatrizamos! E seguimos em frente. Tentamos, no dia a dia, voltar ao normal. 


Tenho convicção de que a Madeira no Coração, as Pedras em nosso Caminho, não serão capazes de ferir sozinha, como somos. E temos Consciência, disso! 


Ainda bem, que não somos de MADEIRA ou ainda de PEDRA. Por isso, somos tão diferentes de tudo que nos cerca. Somos capazes de ferir, sim! De magoar, sim! Mas, somos mais ainda, capazes de PERDOAR e RECONSTRUIR. Sentimentos, que a madeira, a pedra e demais inanimados não tem! Nos, seres errantes, e exatamente, por este motivo, somos tão especiais, justamente por isso, muita vezes, mudarmos em tudo. Somos conscientes nesta vida, pelo menos, eu espero que assim seja.


Espero que tenha sido capaz de dialogar, sobre assunto tão difícil, a meu ver. E mais ainda, tenha sido gentil em minha resposta, a tão singela mensagem, minha querida amiga!


(Por Marcelo Bispo)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tantos "ades"






Teorema de “Ades”


Como adquirir a felicidade?
Demonstrar que sou cortês, mesmo com essa brutalidade
Buscar aptidões para despistar a minha comodidade
Para entender melhor a minha carência, que se mistura com a maturidade.
Como irei conciliar o bem com o mal, faze-los entender a verdade
Por favor, me salvem de tanta complexidade!
Preencham o meu ego e a minha vaidade
Façam-me viver repleto de amizade
No amor, que seja com muita cumplicidade
Dissipando qualquer tipo de vulgaridade
Quero permanecer com a minha moralidade
Mantendo discrição, sagacidade
Demonstrando valores, tonalidade
Haja criatividade!
Mas afinal, pra que tantos “ades”?
Nada demais, apenas um treino da minha capacidade
Desafiando as palavras, para criar habilidade
Desenvolvendo, de certa forma, rimas para a sonoridade
Sentir-me com o cheiro do orvalho, logo após a tempestade
Dormir de um belo sono, sem pensar em alguma barbaridade
Acordar e perceber o quão importante dessa pluralidade
Espero que o faça sensibilizar, não deixando de trazer à realidade
Entenda o que quero: saiba que tudo foi escrito do coração, junto com a realidade.

(Por David Brasileiro) 


*Imagem numa estação de metrô em São Paulo.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A vida precisa do vazio...


A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. É no vazio da jarra que se colocam flores.

E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário: pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas!

Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar.

Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade...


(Rubem Alves)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Uma Brasília perdida no caminho...

 

Olá, amigos do meu blog! Não sei se no dia 21 de abril posso estar muito feliz e dar os parabéns a Brasília pelos seus 52 anos. A cidade continua bela, mas é maltratada e mal-cuidada pelos nossos governantes; o preço dos imóveis continua um absurdo e me faz, sendo filho desta terra, um estranho no ninho; e a violência que cresce a cada dia, culpa de governos anteriores e sua distribuição de lotes desgovernada. Todos têm direito a moradia, com escolas, hospitais, segurança e lazer. O que se vê hoje não é o ideal que JK idealizou para a capital do Brasil. Brasília merece ainda ter um governo decente!


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI
(Eduardo Alves da Costa)

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
 por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A síndrome dos vinte e tantos



Muito semelhante à minha atual fase...


A SÍNDROME DOS VINTE E TANTOS

A chamam de ‘crise do quarto de vida’.
Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..
E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco.
As multidões já não são ‘tão divertidas’. ..
E as vezes até lhe incomodam.

E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal.

Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar.
Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.

Olha para o seu trabalho e, talvez, nao esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a).
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.

Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos…

Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!


FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NÃO PASSE!


(desconheço a autoria)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Para que serve uma relação?


Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.


Por Drauzio Varella

quinta-feira, 8 de março de 2012

Gondoleiro do amor


Olá para todos. Aproveitando que hoje é o dia internacional da mulher, coloco um poema de Castro Alves e faço também uma breve menção ao que significa este dia.


Neste 08 de março de 2012, vamos mais uma vez parabenizar as mulheres, sem contudo esquecer o dia 8 de março de 1857, nos Estados Unidos, em Nova Iorque, quando operárias – a maioria imigrantes italianas e judias – que trabalhavam em uma fábrica de tecidos começaram uma greve. Todas foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Cerca de 130 morreram carbonizadas naquele dia.

>>>Texto de Gilvander Moreira.

Leia mais à respeito do Dia Internacional da Mulher: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher



O GONDOLEIRO DO AMOR
(Castro Alves)

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Itália,
Ama um canto o pecador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
— Rosa aberta com biquinho
Das aves rubras do céu.

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!? ...

Teu amor na treva é — um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa — nas calmarias,
É abrigo — no tufão;

Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor,...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Oxigênio


OXIGÊNIO


Eu te busquei em cada gota do meu respirar
E neste gás pude o meu peito oxigenar
Com seu gosto, seu cheiro, flutuando no ar
Livres, húmidos, inflados de emoção
E nesta sistólica reação inspirei paixão
Me dando a vida mais atmosfera ao coração
E nesta vital harmonia de puro hidrogênio
Torci para que você fosse o meu oxigênio
Minha combustão... Isto com certeza você foi.


Por Luciano Spagnol

Qual o preço do seu sorriso?


QUAL O PREÇO DO SEU SORRISO?


Sei que sou banal e falo sempre do amor
Como também ouço muita gente falar de desilusão
Mas, puxa, nessa vida vale a pena guardar tanto rancor
Como ganhar um sorriso sem fazer muita confusão?

Queria que fosse mais fácil, como plantar uma horta
Para colher belos sorrisos a todo instante
Já que o amor pula janela quando as contas batem à porta
Quero seu sorriso brilhando feito diamante

Não é fácil viver sorrindo - disso eu sei
Mas não é difícil dissipar uma grande dor
So não posso fingir que sou um rei
Sem que meu sorriso conseguisse transbordar em amor

Já não é bastante falar de sentimentos
Hoje em dia vivemos em individualidade
Sera que não é esse o preço do falso desenvolvimento
Que acaba com a nossa humanidade?


Por David Brasileiro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fiel Amor


FIEL AMOR

Prefiro o olhar, o beijo cúmplice
O silêncio que diz muito... Bendigo!
As palavras derramadas no ouvido que se faz cálice
A poesia do sorriso companheiro, amigo
Os momentos mágicos do ápice
O abraço que se torna abrigo...

Quero mãos que afaguem
Pés que comigo caminhem
Sair do anonimato pro alguém
Numa história, porém,
Que não seja com desdém
Do desprezo, quero ir além...

Vem! Desenhe um robusto sim
Diga doces alocuções para mim
Traga toda uma paixão carmim
Joeire o dédalo de um sonhador
Ponha tua alma, pois ali vou a minha por
Nos prados de um fiel amor.


Por Luciano Spagnol

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Baú de tesouros


BAÚ DE TESOUROS


Há um baú repleto de tesouros
Que poucas pessoas procuram
Tem gente que só vive em agouros
E de amargura vivem, mas na sua felicidade não lutam

Que tipo de tesouro você busca?
Que tipo de sentimentos quer?
Por que do ressentimento você não o ofusca?
E realmente demonstra que não é um qualquer?

Quero meu baú cheio de preciosidade
Amor, beleza, satisfação e vaidade
Mas quero que esse baú seja preenchido com naturalidade
Tudo isso repleto de dignidade

Cansado de vivenciar tanta amargura
De ser repleto de individualidade
Por favor, meu povo, nos traga a ternura
E nos traga também muita amizade

Agora esconderei esse segredo
Esse baú cheios de tesouros
Guardarei no coração e desviarei do “azedo”
E chega de chacotas nos abatedouros!


Por David Brasileiro

domingo, 22 de janeiro de 2012

NEOQEAV


NEOQEAV
(de onde surgiu)


Meus avós já estavam casados há mais de cinqüenta anos e continuavam jogando um jogo que haviam iniciado quando começaram a namorar.

A regra do jogo era que um tinha que escrever a palavra "NEOQEAV" num lugar inesperado para o outro encontrar e assim quem a encontrasse deveria escrevê-la em outro lugar e assim sucessivamente.

Eles se revezavam deixando "NEOQEAV" escrita por toda a casa, e assim que um a encontrava era sua vez de escondê-la em outro local para o outro achar.

Eles escreviam "NEOQEAV" com os dedos no açúcar dentro do açucareiro ou no pote de farinha para que o próximo que fosse cozinhar a achasse. Escreviam na janela embaçada pelo sereno que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim que ela fazia com tanto carinho.

"NEOQEAV" era escrita no vapor deixado no espelho depois de um banho quente, onde a palavra iria reaparecer depois do próximo banho.

Uma vez, minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para deixar "NEOQEAV" na última folha e enrolou tudo de novo.

Não havia limites para onde "NEOQEAV" pudesse surgir.

Pedacinhos de papel com "NEOQEAV" rabiscado apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam.

Os bilhetes eram enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros.

"NEOQEAV" era escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras e nas cinzas da lareira. Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós quanto da mobília. Levou bastante tempo para eu passar a entender e gostar completamente deste jogo que eles jogavam. Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e verdadeiro amor, que possa ser realmente puro e duradouro.

Porém, eu nunca duvidei do amor entre meus avós.

Este amor era profundo. Era mais do que um jogo de diversão, era um modo de vida.

Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada, igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar. O vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam.

Roubavam beijos um do outro sempre que se batiam um contra outro naquela cozinha tão pequena. Eles conseguiam terminar a frase incompleta do outro e todo dia resolviam juntos as palavras cruzadas do jornal. Minha avó cochichava para mim dizendo o quanto meu avô era bonito, como ele havia se tornado um velho bonito e charmoso.

Ela se gabava de dizer que sabia como pegar os namorados mais bonitos.

Antes de cada refeição eles se reverenciavam e davam graças a Deus e bençãos aos presentes por sermos uma família maravilhosa, para continuarmos sempre unidos e com boa sorte.

Mas uma nuvem escura surgiu na vida de meus avós: minha avó tinha câncer de mama. A doença tinha primeiro aparecido dez anos antes.

Como sempre, vovô estava com ela a cada momento.

Ele a confortava no quarto amarelo deles, que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse sempre rodeada da luz do sol, mesmo quando ela não tivesse forças para sair.

O câncer agora estava de novo atacando seu corpo.

Com a ajuda de uma bengala e a mão firme do meu avô, eles iam à igreja toda manhã. E minha avó foi ficando cada vez mais fraca, até que, finalmente, ela não mais podia sair de casa. Por algum tempo, meu avô resolveu ir à igreja sozinho, rezando a Deus para zelar por sua esposa. Então, o que todos nós temíamos aconteceu.

Vovó partiu.

"NEOQEAV" foi gravada em amarelo nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores do funeral da vovó.

Quando os amigos começaram a ir embora, minhas tias, tios, primos e outras pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.

Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e, num suspiro bem profundo, começou a cantar para ela.

Através de suas lágrimas e pesar, a música surgiu como uma canção de ninar que vinha bem de dentro de seu ser. Me sentindo muito triste, nunca vou me esquecer daquele momento. Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender completamente a profundeza daquele amor, eu tinha tido o privilégio de testemunhar a beleza sem igual que aquilo representava.

Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando:

"Mas o que NEOQEAV significa?"

Nunca Esqueça O Quanto Eu Amo Você


(desconheço a autoria)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Déficit de Atenção e nossas "Redes Sociais"


O Déficit de Atenção e nossas “Redes Sociais”


Perdão a todos, por mais uma vez por tentar “falar” de outro tema, estranho ao meu conhecimento, e minha vã compreensão.
Bem, o que gostaria de compartilhar com “vocês” é o motivo de nos apegarmos tanto nas “tais” Redes Sociais.
Aliás, pelo menos depois de algum tempo, acreditamos que sabemos das nossas necessidades, e mais ainda, aquelas vinculadas a nossa “psique”.

É! Não é fácil, todos estamos à mercê das nossas dependências, e mais ainda, das internas. Dentre elas, a mais recorrente, a meu ver, são as nossas carências. De verdade, deve ser a mais intensa. E na prática, é a que mais escondemos. Geralmente, até de nos mesmos.
E meus caros, somos carentes de quase tudo! De Vida, de perspectiva, de valores, de intensidade, e principalmente de reconhecimento e “invariavelmente” de sermos vistos, ouvidos e de sabermos que os “demais” saibam que existimos. E se possível! Que todos saibam que somos bons, ou ainda, muito bons em alguma coisa.

Com o tempo, e a maturidade, que pode ser algo rápido, demorado, ou até mesmo jamais chegar, mudamos nossos comportamentos e prioridades. Pelo menos, espera-se!

É verdade que, com o tempo, não mais tentamos nos socializar, pelo menos, não como fazíamos, nos primeiros anos de vida, na época da adolescência. Pelo contrário, com o tempo, nos interiorizamos, tentando nos entender, compreender nossa razão de ser, de existir, de ser e estar nesta vida. Talvez, possa até arriscar mencionar que, desejamos descobrir nossos “propósitos”, ainda que possamos pouco saber disso, em qualquer época da nossa trajetória da “simples” vida.
É o que isso tem a ver com as redes sociais, muitos podem estar se perguntando! Bem, a meu ver, tudo! Ou quase tudo, para não ser radical! São instrumentos de comunicação, e com base neles, interagimos. Espero não estar falando uma “imensa” bobagem. Se isso estiver! Que me perdoem meus amigos, colegas e demais “especialistas” nesta área.

Lembrando que, as redes sociais de hoje, nada mais são, com as devidas “proporções”, é claro, semelhantes aos adventos, como o: Telégrafo, Fax, Telefone Fixo, “Pager” etc. Todos eles no passado serviram para facilitar a comunicação entre as pessoas, ou ainda, diminuir as distâncias entre elas. A meu ver, maravilhosa a transição que vivemos, no século passado, e neste em particular. Podemos viver e ver melhorar a condição humana, quanto à nossa “comunicação”, para diminuir nossas distancias e laços.

Contudo, neste mesmo contexto, me preocupa algo em particular.
As relações humanas, baseada nos instrumentos, e não mais nas pessoas. A meu ver, parece-me, que estamos mais preocupados com os meios e não com os fins.

Vou ser mais prático!

Ao utilizar as “importantes” redes sociais, muitas das vezes, muitos de nos, se esconde. Não dos outros, mais muitas vezes de nos mesmos. Compartilhamos quase tudo, mais no fundo, nada de nos mesmos. Falta-nos, a meu ver: sentir mais, ver mais, compreender mais, os pequenos detalhes. Não olhamos mais nos olhos (às vezes, sequer via webcam). Isso não tem nada a ver com dizer a todos o que esta fazendo, o tempo todo! Tem mais ver, com dizer a poucos, o que de importante fez, faz ou quer fazer.
É uma pena que estamos no momento de “quantidade” de exposição, e pouca “qualidade” na demonstração.

Falta-me, a meu ver, contato físico! Nada, de verdade, contra as redes sociais. Mais muitos, Muitos mesmo, estão confundindo os “instrumentos” para facilitar o contato, com o contato de fato.

Bem, mais uma vez, me valido dos fatos. Vamos a eles!

Como sabemos, sempre fizemos e tivemos nossos encontros, fotos, mídias diversas. Mais nunca. Nunca mesmo! Estivemos tão expostos, e ao mesmo tempo, tão solitários e isolados com nossos pequenos “hardware” (celulares, Notebook, Palmtops) e nossos importantes “software” de comunicação.

É meus amigos, colegas, desconhecidos e demais categorias! Estamos cada vez mais “conectados” e “paradoxalmente” isolados e sozinhos em nos mesmos. Aliás, nem isso acontece mais, porque muitos de nos, sequer estar em si. Muitas vezes, solitários e “DESCONECTATOS” de si mesmo.

ALERTA: Perigosa, essa associação de exposição daquilo que pouco se “sabe” e “sente” de si mesmo, e mais ainda, daquilo que, pouco “Se é” e “Está”.
Qual - De que forma - A que tempo - E para quem, iremos usar nossos “instrumentos”, não é relevante neste contexto. Aliás, muitas vezes, não participar, se ausentar, e até mesmo, não se “dimensionar”, pode ser uma saída para nosso déficit de atenção.

Que os MEIOS não sobreponham aos FINS.

Ainda, a meu ver, queremos o que desde os primórdios, queríamos. Amar e ser amado!

Grande abraço a todos!

Obs.: Tenho muito a agradecer ao Twitter, Orkut, Facebook, Gtalk, MsN, e aos demais instrumentos de comunicação.


(Autor: Marcelo Bispo)

domingo, 1 de janeiro de 2012

E mais um ano começa...


Mais um ano começando e novas expectativas e esperanças brotam em nossos corações. É importante darmos um primeiro passo para que Deus nos guie para um caminho de sucesso. Até lá, muitas coisas podem acontecer. É ter fé que tudo vai dar certo e ter foco no objetivo. 2012 está aí e promete!

E já começo o ano colocando um poema que me agradou bastante. Prometo que neste ano colocarei mais poemas meus também! E reclamações também! Senão, aí não seria eu... rs


OH, DOCE CHUVA!

Mais um ano esta acabando
Mais um ciclo que chega ao fim
Mais uma chuva desmoronando
Limpando esse sentimento ruim

Chuva lhe agradeço profundamente
Por limpar o céu, terra e confins
Quero que limpe também a minha mente
E me leva para Tocantins

Por favor chuva não se tornes tempestade
Traga a calmaria de um orvalho
Sei que seu poder pode virar até calamidade
Mas quero-te para prosseguir em um atalho

Chuva que irriga uma horta
Chuva que preenche o rio
Chuva faz do mar sua horda
E quando a chuva cessa vejo um arco-íris e sorrio

Se você ver a chuva como tristeza
E não acredita na sua purificação
Que a cor cinza te traga toda franqueza
E liberta nossa alma da putrefação

Uma lágrima representa a chuva
Mas a mesma não representa somente dor
Lagrimas sim, da chuva sabor de uva
Me limpa completamente do rancor

A chuva já cessou
O alivio apareceu
Chuva agora sei quem sou
Chuva nunca me diga Adeus!

(David Brasileiro)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Pedido de Natal


Pedido de Natal


Querido Papai Noel, Buda, Jesus Cristo, Todo Poderoso, Cosmo & Infinito, venho por meio desse tempo festivo para pedir riqueza!

Sim, é isso mesmo. Quero obter a luxúria da humanidade, ser soberbo na mesquinharia, desejar a gula da inteligência com a ira da sabedoria, sem deixar de lado a avareza da bondade , sem deixar minha preguiça para o descaso, e a inveja para aqueles que consegue ser tudo isso e mais um pouco.

Quero verdadeiros valores na minha vida, senhores do Universo e da Vida. São essas riquezas e pecados que desejo, mas agradeço profundamente por ser tão errante, para nunca apontar o meu dedo ao meu próximo e esquecer que sou igual - não por pensar diferente, mas por ter os mesmos defeitos!

Quero poder amar, compartilhar, xingar, magoar, perdoar, ficar alegre e triste e entender que somos como todas as explosões de sentimentos. Quero sim ter a inteligência de um professor e ser mestre em lidar com todas situações.

Não sei o que busco, mas pressinto que sempre me falta algo para complemento. Quero obter esse resultado custe o que custar e, porra, quero manter meu juízo e nunca perder o bom humor!

Obrigado por ganhar sorriso de quem realmente me faz bem e, até aqui, não possuo nada para reclamar ou contestar!

Espero que esse meu desejo seja espalhado para todos para que possamos ser diferentes nas opiniões e iguais na compreensão e respeito.

Fico aguardando quantos natais necessários para que sejam realizados meus pedidos!

Atenciosamente,

David Brasileiro

domingo, 11 de dezembro de 2011

Questionamentos


QUESTIONAMENTO DO MEU CONTEXTO
(David Brasileiro)

O que fazer?
Quando meu amor é diferente
Quando a distância é evidente
Quando a tristeza é emergente?

Como agir?
Com meu ciúme que se torna avareza
Com minha angustia que permanece na redondeza
Com minha ansiedade que destrói a minha beleza?

Como mudar?
Uma mágoa em uma simpatia
Um choro cessar e virar nostalgia
Um rancor que insiste em ser uma regalia?

Como seguir?
Sem saber do que eu sinto se será recíproco
Que a felicidade não se torne novamente um equívoco
E que todo esse contexto se transforme em um belo sorriso?

Só entenda que:
Quero que busque e encontre a felicidade
Não tenha medo da maturidade
E que nunca viva na ingenuidade!

sábado, 26 de novembro de 2011

Poema sobre o coração


Hoje eu coloco um dos poemas de um amigo poeta. Não é preciso nem dizer que quem escreve poemas possui um coração sensível. A grande pena é que são poucos os que querem desbravar esses corações, e mais raros ainda são os que os entendem.
Obrigado por contribuir com o meu espaço cultural, David!


DIVERGÊNCIAS COM O DESTINO
(David Brasileiro)

Destino, chega de fazer isso comigo
Por colocar minha vida em frangalhos
Por acaso você me vê como inimigo?
Não aguento ver meu coração em pedaços

Destino, desgraça, devaneios e devassidão
É como quero trata-lo no momento
Você gosta de me ver na solidão
E se alimenta com o meu sofrimento

De que adianta viver sem desapegos
De dar valor, sendo que a distancia causa dor
Desse jeito, acabo duvidando dos meus conceitos
Destino já estou cheio e, desse jeito, ficarei com rancor!

Divergências, Destino, é isso que você me traz
Nao consigo acabar com esse sofrimento
Destino, por favor, suplico: me torne fulgaz
O que realmente quero na minha vida é complemento



*Foto tirada no prédio dos Correios em São Paulo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mais palavras


PALAVRAS
(Sérgio Britto e Marcelo Fromer)


Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes
Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números para os dias
E os nomes para as pessoas
Palavras eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
Em caso de emergência
Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa
Palavras não têm cor
Palavras não têm culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas
Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas
Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo
Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito
Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do sol

Nuvens e ventos


CANÇÃO DE NUVEM E VENTO
(Mário Quintana)


Medo da nuvem
Medo Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem nuvem nuvem
Medo do vento
Medo medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento vento vento
Medo do gesto
Medo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe...
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento vento vento!