quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cale-se!



Olá, amigos. Para enriquecer culturalmente o meu blog, coloco uma música do nosso glorioso Chico Buarque. Chico sofreu com as imposições da época da ditadura militar, que censurava a tudo e a todos. Essa música representa bem a situação vivida na época. Claro que para poder ser avaliada e passar pela censura, a música teve de ser trabalhada em um sentido figurado. A começar pelo título "cálice" (cale-se, ou seja, você não tem direito de se expressar, de colocar a voz no mundo, emitir opiniões). Um grande enriquecimento para o meu blog!


CÁLICE
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Eu, etiqueta


EU, ETIQUETA


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.


(Carlos Drummond de Andrade)



Comentário meu: olá, amigos. É, somos influenciados o tempo inteiro pela moda, não adianta negar e falar que tem estilo próprio. Ou você copiou alguém ou você usa a roupa que as marcas querem que você vista. O que talvez seja ruim nisso? A falta de personalidade própria e o medo de ser excluído de algum grupo se você não se vestir de tal jeito. E realmente as pessoas tendem a excluir os diferentes.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A criança que calou o mundo por seis minutos*



Olá, amigos. Hoje eu não tenho nada a dizer. Este vídeo aí em cima diz tudo. Não serão apenas seis minutos que você ficará parado vendo um vídeo legendado, mas serão seis minutos que farão você refletir sobre o mundo. Um grande abraço!

*Alterei o título por causa da verdadeira duração do vídeo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson


Olá, amigos. Ontem morreu um ícone do pop, que talvez nunca será superado: Michael Jackson. Seu mega sucesso "Thriller" fez com que fosse dono do álbum mais vendido da história. E o que venho falar aqui hoje é tentar analisar um pouco o que foi este cantor, embora eu nem saiba se tenho autoridade o suficiente, pois nunca fui um grande fã dele; apenas gostava de suas músicas.


A vida de Michael Jackson foi sempre conturbada. Talvez ele não soubesse lidar com o peso do sucesso (algo que muitos artistas não sabem mesmo e acabam perdendo um pouco do brilho - vide Xuxa - ou acabam se suicidando - vide Kurt Cobain) e deixou que virasse uma bola de neve em sua vida. O mal de se ter muito dinheiro é que achamos que viramos semideuses, que podemos tudo. Mas continuamos sendo meros seres humanos, que contraem doenças, sentem emoções e erram muito. Fatos estes que vemos em seus escândalos sobre pedofilia e sua mudança de cor.


Não quero justificar ou defender Jackson, (e sinceramente tenho lá minhas dúvidas se ele era realmente um pedófilo), mas eu vejo alguém sentimental que teve a vida sufocada por fatos cotidianos. Ser negro nos Estados Unidos na época em que ele foi criança e adolescente era uma coisa meio complicada, pois não podiam frequentar os mesmos lugares que os brancos. Isso até se torna um pouco incompreensível para nós, brasileiros, porque aqui o preconceito é mais mascarado e vemos os negros "terem os mesmos direitos que os brancos". Mas lá nos EUA a coisa pode ter sido bem diferente e isso possa ter explicado o porquê de sua obsessão em "se tornar branco". Não concordo com isso, pois ele deveria ter abraçado mais a causa negra, mas também não condeno (aliás, quem sou eu pra condenar alguma coisa?).


Enxergo nos artistas uma sensibilidade fora do comum, algo que os torna diferentes (não melhores) do que as outras pessoas, pois eles tendem a colocar pra fora aquilo que os sufoca. Eu também sou artista, gosto de desenhar e escrever e sinto uma sensibilidade à flor da pele. Michael Jackson, com seu enorme talento, também era muito sensível (pelo que a mídia me mostrava a respeito dele), mas não soube se controlar e tentou arriscar uma fuga da realidade e viver em um mundo de sonhos. E é aí que o próprio artista se mata: pela fuga da realidade, por sua sensibilidade em não dar conta de viver num mundo como este. Vai fazer falta, com certeza, por sua música. Pelo menos agora ele está longe desse mundo cruel que o impediu de ser criança pra sempre.



*Vídeoclipe de "Thriller" (o youtube não permitiu incorporar no blog):

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Faz parte do meu show



FAZ PARTE DO MEU SHOW
Cazuza
Composição: Cazuza / Renato Ladeira

Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpoador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Meu amor, meu amor, meu amor...

Comentário meu: olá pra todos! Hoje eu coloco uma música do nosso querido Cazuza. Ah, tempos de músicas boas, inteligentes e com letras decentes... Cazuza nos mostra nessa letra quem é ele, o que faz, que sua existência está expressa em atitudes meio "porra louca" e não tá nem aí. Faz parte apenas do show dele. O show que ele deu na curta passagem nesta vida. Às vezes me questiono qual é o show que tenho que dar nesta vida, o que devo fazer para que ela tenha valido a pena. Não sei se ela será longa ou curta, mas chega de bastidores, pois o show da vida deve continuar!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Amor é fogo que arde sem se ver



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Luís de Camões
)

domingo, 14 de junho de 2009

Indústria do sensacionalismo


O acidente foi horrível mesmo. Um avião sumir do mapa em meio oceano Atlântico é um fato que envolve mistérios e questionamentos. Mas o que a mídia faz com assuntos como este ou como casos tipo Isabela Nardoni já passa dos limites! Não que eu esteja ignorando o assunto, mas priorizar ou dar grandes destaques para essa notícia cansa muito. O que estou colocando aqui é uma opinião bem pessoal minha, o que poderá agradar ou desagradar vários leitores. Quantas outras tragédias aconteceram ou acontecem no mundo? Por que toda essa importância para o acidente do avião? Será que é porque havia pessoas ricas ou de outros países a bordo? Será o mistério que envolve a tragédia?

Já pararam pra se perguntar quantas pessoas morrem de AIDS ou de fome na África? Isso não é noticiado todos os dias e nem ganha tanto destaque assim na TV! Há a comoção com o acidente do avião, certo, afinal, vidas se acabaram lá... Coitados dos parentes! Além de sofrerem a perda, lutam contra esse sensacionalismo que cava um buraco na mente e os traumatizam com notícias e manchetes de última hora. Eles não são poupados. Ai deles ainda se começarem a rolar na internet fotos de buscas dos corpos... Que Deus conforte o sofrimento de cada família!

Falo isso porque já estou cansado de ligar a TV em noticiários (coisa que faço pouco) ou abrir a internet e ver as mesmas coisas. Ainda bem que não abandono os livros. Achei até engraçado outro dia que vi num episódio dos Simpsons a Lisa falar algo do tipo: "por que não noticiam um professor homenageando um aluno?". Boa pergunta de um desenho inteligente e crítico. E lá vai a TV nos oferecendo apenas uma possibilidade: jogar informações prontas, sem nos fazer pensar, raciocinar e refletir, e deformando o nosso cérebro com o que bem entende abordar. E nos comove, nos induz, pois ela tem o poder de guiar nossos pensamentos. Gravidade do problema? Infelizmente acontece muitas outras coisas piores por aí e não ganham tanto destaque assim. Quer problemas mais sérios do que a fome e a falta de educação (acréscimo: e a falta de Deus no coração das pessoas)?

Pois é, notícia ruim é o que vende mesmo, infelizmente... (e o sensacionalismo também)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Relembrar (recordar) é reviver



Olá, amigos e leitores do meu blog! Hoje eu venho falar de momentos nostálgicos, aqueles momentos que a gente lembra e dá uma saudade apertada lá no fundo do peito. Se pudéssemos voltar no tempo e viver tudo aquilo de novo, aproveitando cada minuto... puxa, como seria bom!

Lembro-me de várias épocas boas, de quando jogava videogame com meu amigo. A gente jogava Street Fighter 2 pirateado no Turbo Game dele... era uma época onde as coisas tinham um lado mais inocente... passava a novela Mulheres de Areia (uma das únicas novelas de que gostei e acompanhei na Globo) e anunciava com frequência o filme Esqueceram de mim. Lembro-me de várias músicas infantis que eu gostava, dentre elas o disco da novela Carrossel. Alguém lembra ainda? O Ayrton Senna nos dava muitas alegrias com suas vitórias na Fórmula 1 e Os Trapalhões tinham graça. Depois conheci o desenho que adoro até hoje que é Os Cavaleiros do Zodíaco. Essa época lembra muito uma fase da escola onde conheci um verdadeiro amigo. Era tudo muito mágico, pois colecionávamos bonequinhos dos cavaleiros, assistíamos aos animes Shurato, Sailor Moon e Samurai Warriors.

Os leitores podem até achar que esse é um texto bobo, mas eu diria que é um rabisco, um desabafo, um motivo que inventei pra poder escrever aqui como se fosse um diário. Lembro até hoje da surpresa que tive ao jogar um dos melhores jogos de videogame que já joguei na vida: Final Fantasy 8. Cada cena fantástica e inovadora pra época, cenas de ação, romance... jogo perfeito! Delirava com cada acontecimento, cada batalha, cada poder e a profundidade da história, mesmo sendo em inglês e eu ter demorado uns 7 meses pra zerar o jogo ehehehhe...

Aí veio tantas outras lembranças boas na minha mente... época do cursinho, onde tentava vencer minha timidez e encontrar uma tribo, um grupo em que eu me encaixasse e que fugisse dos padrões da sociedade... Estilo clubber, estilo roqueiro... ver a trilogia O Senhor dos Anéis no cinema e enfrentar filas quilométricas... primeiro emprego (que, por sinal, foi uma grande bosta, mas me ajudou a amadurecer mais), faculdade...

Será que estou me sentindo meio velho hoje pra postar tantas coisas assim?

E as lembranças ruins? Sei que elas existem, mas não fazem parte da minha auto-estima hoje em dia! Tudo isso faz parte da construção do meu ser.

*No vídeo, Final Fantasy 8, grande jogo de RPG do PlayStation 1 e um dos melhores (se não o melhor) jogo que EU já joguei na vida.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Violões que choram...


Olá, galera. Hoje eu dedico este espaço a um dos mais belos poemas de Cruz e Sousa, principal poeta simbolista brasileiro.


VIOLÕES QUE CHORAM...
cruz e sousa
(jan. I897)

Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.

Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.

Sutis palpitações a luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.

Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.

Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos Nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...

E sons soturnos, suspiradas magoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.

Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho
Almas que se abismaram no mistério.

Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar a flor de espumas.

Oh! languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ânsia esquisita
E de gritos felinos de ciúmes!

Que encantos acres nos vadios rotos
Quando em toscos violões, por lentas horas,
Vibram, com a graça virgem dos garotos,
Um concerto de lágrimas sonoras!

Quando uma voz, em trêmolos, incerta,
Palpitando no espaço, ondula, ondeia,
E o canto sobe para a flor deserta
Soturna e singular da lua cheia.

Quando as estrelas mágicas florescem,
E no silêncio astral da Imensidade
Por lagos encantados adormecem
As pálidas ninféias da Saudade!

Como me embala toda essa pungência,
Essas lacerações como me embalam,
Como abrem asas brancas de clemência
As harmonias dos Violões que falam!

Que graça ideal, amargamente triste,
Nos lânguidos bordões plangendo passa...
Quanta melancolia de anjo existe
Nas visões melodiosas dessa graça.

Que céu, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,
Quanto magoado sentimento eterno
Nesses ritmos trêmulos e indecisos...

Que anelos sexuais de monjas belas
Nas ciliciadas carnes tentadoras,
Vagando no recôndito das celas,
Por entre as ânsias dilaceradoras...

Quanta plebéia castidade obscura
Vegetando e morrendo sobre a lama,
Proliferando sobre a lama impura,
Como em perpétuos turbilhões de chama.

Que procissão sinistra de caveiras,
De espectros, pelas sombras mortas, mudas.
Que montanhas de dor, que cordilheiras
De agonias aspérrimas e agudas.

Véus neblinosos, longos véus de viúvas
Enclausuradas nos ferais desterros
Errando aos sóis, aos vendavais e às chuvas,
Sob abóbadas lúgubres de enterros;

Velhinhas quedas e velhinhos quedos
Cegas, cegos, velhinhas e velhinhos
Sepulcros vivos de senis segredos,
Eternamente a caminhar sozinhos;

E na expressão de quem se vai sorrindo,
Com as mãos bem juntas e com os pés bem juntos
E um lenço preto o queixo comprimindo,
Passam todos os lívidos defuntos...

E como que há histéricos espasmos
na mão que esses violões agita, largos...
E o som sombrio é feito de sarcasmos
E de Sonambulismos e letargos.

Fantasmas de galés de anos profundos
Na prisão celular atormentados,
Sentindo nos violões os velhos mundos
Da lembrança fiel de áureos passados;

Meigos perfis de tísicos dolentes
Que eu vi dentre os vilões errar gemendo,
Prostituídos de outrora, nas serpentes
Dos vícios infernais desfalecendo;

Tipos intonsos, esgrouviados, tortos,
Das luas tardas sob o beijo níveo,
Para os enterros dos seus sonhos mortos
Nas queixas dos violões buscando alivio;

Corpos frágeis, quebrados, doloridos,
Frouxos, dormentes, adormidos, langues
Na degenerescência dos vencidos
De toda a geração, todos os sangues;

Marinheiros que o mar tornou mais fortes,
Como que feitos de um poder extremo
Para vencer a convulsão das mortes,
Dos temporais o temporal supremo;

Veteranos de todas as campanhas,
Enrugados por fundas cicatrizes,
Procuram nos violões horas estranhas,
Vagos aromas, cândidos, felizes.

Ébrios antigos, vagabundos velhos,
Torvos despojos da miséria humana,
Têm nos violões secretos Evangelhos,
Toda a Bíblia fatal da dor insana.

Enxovalhados, tábidos palhaços
De carapuças, máscaras e gestos
Lentos e lassos, lúbricos, devassos,
Lembrando a florescência dos incestos;

Todas as ironias suspirantes
Que ondulam no ridículo das vidas,
Caricaturas tétricas e errantes
Dos malditos, dos réus, dos suicidas;

Toda essa labiríntica nevrose
Das virgens nos românticos enleios;
Os ocasos do Amor, toda a clorose
Que ocultamente lhes lacera os seios;

Toda a mórbida música plebéia
De requebros de faunos e ondas lascivas;
A langue, mole e morna melopéia
Das valsas alanceadas, convulsivas;

Tudo isso, num grotesco desconforme,
Em ais de dor, em contorsões de açoites,
Revive nos violões, acorda e dorme
Através do luar das meias noites!


Fonte: www.dominiopublico.gov.br

Resumo: O movimento simbolista é uma reação contra a onda de cientificismo e materialismo a que esteve submetida a sociedade industrial europeia na segunda metade do século XIX. Procuravam resgatar certos valores românticos como o espiritualismo, o desejo de transcendência e de integração com o universo, o mistério, o misticismo, a morte, a dor existêncial (sem cair na afetação sentimental do Romantismo). Buscaram uma linguagem que fosse capaz de sugerir a realidade. Para isso, fizeram uso de símbolos, imagens, metáforas, sinestesias (cruzamento de campos sensoriais diferentes como "amarelo quente"), além de recursos sonoros e cromáticos, tudo com a finalidade de exprimir o mundo interior, intuitivo, anti-lógico e antirracional. Apesar de ser abafado pelo movimento parnasiano no Brasil, tivemos um grande representante que foi Cruz e Sousa.


Fonte do resumo: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens: literatura, gramática e redação. São Paulo: Atual, 1994.

*Imagem: Mulher com guitarra, de Renoir, obra do Impressionismo francês.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vítimas do capitalismo


Olá, galera. Hoje eu estava fazendo uma reflexão e vi que sou uma grande vítima do capitalismo. Ou pelo menos um comprador impulsivo. Espero que certas empresas não estejam lendo isso aqui hehehe... Trabalhamos para poder viver, para poder ter um bom conforto. Nada mais gratificante depois de um mês suado e estressante você ter o seu dinheirinho lá na sua conta. Melhor ainda é quando você usufrui daquele dinheirinho para comprar o que você gosta, paga suas dívidas e fica numa boa. Aí você dá mais valor ainda ao seu trabalho. Há pessoas que pegam muito no meu pé quando falam que tenho que economizar dinheiro. Mas eu economizo; não gasto tudo. O negócio é que às vezes se ganha tão pouco que é melhor nem economizar. Economizar esse pouco pra quê? Só se passar uns mil anos juntando aquela merreca pra poder comprar algo de grande valor... Não é disso que eu preciso. Acho que é frustrante você ter aquele pouco dinheiro e não poder gastar com o que quer. Pior ainda é guardar demais e não poder usufruir depois.

Eu gosto de leitura, gosto de comprar mangás, livros e outras coisinhas a mais (tá, um joguinho de Playstation) porque é isso que me deixa feliz e me satisfaz. O dinheiro serve para isso e não para eu ficar admirando-o sem poder gastar. Claro, tenho a responsabilidade de reservar um pouco. Já treino isso para uma futura vida de responsabilidades, com contas, dívidas, etc. Mas sem, com isso, deixar de ter o dinheiro do cineminha, do mangá, ou até da promoçãozinha que surge no site do Submarino... Sem nenhum arrependimento. Quem não consome, não consegue acompanhar a evolução das coisas. Devemos consumir com responsabilidade, obviamente.

E ainda vou ter de consumir mais um pouco, por enquanto, pois haja taxa de inscrição de concurso público! E ainda tenho o meu compromisso de ajudar as pessoas (que não venham todos os parentes pedir dinheiro ehehehehhe)!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dispensando palavras

World Builder from Bruce Branit on Vimeo.



Olá para todos! Desculpem por não ter postado regularmente esta semana - acho que foi por desleixo meu mesmo. Não posso ficar preguiçoso e deixar de pensar e colocar o Ondas do Pensamento pra funcionar ao menos uma vez por semana hehehe...

Hoje eu coloco um vídeo que dispensa palavras - literalmente e literariamente. Um estranho homem constrói um mundo holográfico utilizando ferramentas para a mulher que ele ama. Vale a pena conferir!

sábado, 16 de maio de 2009

Acredite nos sonhos!!! (Deus é maior)



Olá para todos que acompanham o meu blog! Estava alguns dias sem postar, mas não esqueço daqui de maneira alguma. Hoje eu quero passar uma mensagem super positiva. Acompanhem.

Venho falar da necessidade de acreditarmos sempre nos sonhos. Em muitos momentos da vida, nós almejamos ter alguma coisa, fazer alguma coisa, realizar alguma coisa... Nos preparamos para o tão esperado momento, mas será que vamos merecer mesmo? Será que teremos, acima de tudo, Deus no coração, humildade, confiança e paciência? Não estou aqui ensinando fórmula de como vencer. Estou apenas refletindo no que eu acredito que possa me ajudar a vencer. Acreditar em Deus é o primeiro passo para tudo na vida. Treina-se a fé. Ter humildade, saber reconhecer erros e acertos e ter confiança é o segundo passo. Aí, aparecerão as dificuldades, os espinhos, as pessoas que querem puxar seu tapete. Entrar na delas é perdição. Não pense em vingança e nem perca tempo reclamando. A chave é ter paciência, muita mesmo. É ter confiança eu si mesmo: EU POSSO! Eu posso tudo naquele que me fortalece!

Não podemos desanimar. Não sei se poderei ajudar alguém com essas poucas palavras que coloquei aqui, mas falo de mim, do mais profundo, que tenho confiança em Deus e acredito no meu potencial. Tempestades virão, nossa, e como virão! Mas não podemos nos imaginar perdedores. É levantar a cabeça, bater a poeira como se nada tivesse acontecido. Você não é o que os outros falam, mas, sim, aquilo que você acredita ser. Jamais deixe de sonhar! São os sonhos que movimentam a nossa existência.

Obrigado por tudo, Deus!


DEUS É MAIOR
Flavinho


Não, não há!
Não há mal, que me possa vencer

Pois tudo posso Naquele que me fortalece
tudo posso em Jesus Cristo

Nenhum problema, nem meus pecados
poderão superar o Amor de Deus.

Deus é maior que tudo que me acontece
Deus é grande Supremo Rei!

Nem a tristeza nem mesmo a dor
poderá superar o Amor de Deus.

Deus é maior que tudo que me acontece
Deus é grande Supremo Rei!

Nem a vingança nem mesmo o ódio
poderá superar o Amor de Deus

Deus é maior que tudo que me acontece
Deus é grande Supremo Rei!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Momento Fernando Pessoa - parte 2



O CORVO *
(de Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!


(tradução feita por Fernando Pessoa)

* Traduzido de The Raven, de Edgard Allan Poe, ritmicamente conforme com o original.

**Fonte: http://www.insite.com.br/art/pessoa/coligidas/trad/921.html

terça-feira, 12 de maio de 2009

Momento Fernando Pessoa - parte 1


MANHÃ


Para que vens? Já perdi
Há muito a esperança em ti.
Mais um dia? Passará
Como tudo que eu senti,
Tudo que eu nem tenho já.

Estou cansado de tudo
Para que vens? Dormirei
Em breve gélido e mudo.
Vens dizer que eu passarei
Como tu? Eu já o sei.

Passarei. Nessa tristeza
Um dia embalei a vida.
E nem dela de dolorida
Já a formidável certeza
De passar mal é sentida.

P'ra que morrer? Conhecer
Inda quis e me cansei.
Nada soube e nada sei.
Não sei para que viver,
Nem sei porque morrerei.

À indiferença da dor
Extrema pois me recolhi.
Menti, não quero o horror
De pensar
Leva-me cedo p'ra ti.

Mas o inevitável tem
Mais horror que tudo
Mesmo que sejas um bem
Muito queria ter um escudo
Contra ti, ignoto além.


NOITE

Ó Noite maternal e relembrada
Dos princípios obscuros do viver;
Ó Noite fiel à escuridão sagrada
Donde o mundo é o crime de nascer;

Ó Noite suava à alma fatigada
De querer na descrença pode crer;
Cerca-me e envolve-me... Eu não sou nada
Senão alguém que quer a ti volver...

Ó Noite antiga e misericordiosa.
Que seja toda em ti a indefinida
Existência que a alma me não goza!

Sê meu último ser! Dá-me por sorte
Qualquer cousa mais minha do que a vida,
Qualquer cousa mais tua do que a morte!


TRISTEZA

Falo-me em versos tristes,
Entrego-me a versos cheios
De névoa e de luar;
E esses meus versos tristes
São tênues, céleres veios
Que esse vago luar
Se deixa pratear.

Sou alma em tristes cantos,
Tão tristes como as águas
Que uma castelã vê
Perderem-se em recantos
Que ela em solslaio, de pé,
No seu castelo de prantos
Perenemente vê...
Assim as minhas mágoas não domo
Cantam-me não sei como
E eu canto-as não sei por quê.


Comentário: Fernando Pessoa (1888 - 1935) é o maior poeta moderno de Portugal. Dedicou seus estudos a diversas e estranhas variantes, como da astrologia à cabala, do espiritismo à maçonaria. Criou vários heterônimos (entre os principais, Alberto Caeiro, Bernardo Soares, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) que apresentavam visões diferentes da literatura, além de seus estilos distintos. Recomendo procurar mais para conhecer bem este poeta tão diversificado.

*Fonte: Revista Entrelivros n 10. (www.revistaentrelivros.com.br)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Cadê o respeito?


Olá para os amigos que visitam o meu blog! Andei ocupado esses dias com fatos da vida, coisas que me tomaram fôlego a inspiração para postar aqui. Mas aqui estou eu para poder fazer uma reflexão. Será que vão concordar?


CADÊ O RESPEITO?

Observando a vida e tudo o que a faz modificar a todo instante, notei a falta de um nobre sentimento nas pessoas: o respeito. Ao andar em lugares movimentados, não se vê compaixão das pessoas umas com as outras. Há apenas a briga de egos que ocorre pelo simples olhar torto de quem passa por você. Ai de você se não seguir os padrões, se não tiver com a namorada ou com a roupa da moda. Andando pela rua, você não vê acessos facilitados a cadeirantes, respeito a pessoas idosas. Motoristas de ônibus e cobradores estressados mal olham na sua cara quando você pede informações. Não dá mais para ir em shows de graça, pois pessoas são esfaqueadas sem o menor motivo. Esfaqueadas por jovens sem cultura, sem estudo, sem Deus em suas vidas. O exemplo que elas devem ver em casa é do pai bebendo, usando drogas e batendo na esposa. Falta respeito do marido para com a mulher. Respeito na família, respeito entre namorados. Perdeu-se o valor dessa palavra tão valiosa.
Hoje, nossas escolas estão voltadas mais para o ensino técnico e decorativo, para que seus "robozinhos" possam tirar as melhores notas no vestibular ou em concursos públicos. Eu, como professor, tenho que entrar em uma sala de aula para dar uma aula técnica e massante, meramente decorativa. Não dá tempo de trabalhar uma didática. Perde-se o principal objetivo da escola que é "formar e humanizar". Aí vemos o resultado aí nas ruas: pessoas sem saber lidar com outras, sem saber lidar com situações além do papel, pessoas que desrespeitam as outras...
O respeito depende de diálogo, educação, amor, atenção. É preciso plantar essa semente nas pessoas. Mas pais e escolas estão falhando nisso tudo. Até onde vamos chegar? Vamos conseguir sobreviver em um mundo onde o respeito está acabando?
E quem respeita ainda é taxado de bobo, certinho, dentre outros apelidos. A moda agora é não respeitar. É sair sem dar satisfações, é não mais pedir desculpas pelos erros cometidos. É sentir vergonha de ajudar alguém que caiu no meio da rua, é ficar calado quando alguém pede informações. É, infelizmente, ter medo de acolher alguém necessitado, pois há os que abusam da boa fé de outras para cometer delitos.
Me assusta continuar pensando nisso...


*Imagem retirada de um blog.